A Culpa é do Manara

by: Carol Teixeira -

Há pouco mais de um ano atrás uma amiga que morava em L.A. veio passar uns dias aqui em São Paulo e se hospedou na minha casa. Eu tinha recém lido uma nova HQ erótica do Milo Manara (italiano mestre no erotismo nos quadrinhos) e mostrei pra ela, que não conhecia. Ela leu também. Coincidentemente (ou não) os próximos dias foram, digamos, OVER sexuais tanto pra ela quanto pra mim. Depois, contando uma pra outra as coisas que tinham acontecido, concluímos: é tudo culpa do Manara. Pronto, estava resolvido, toda e qualquer loucura sexual que tínhamos cometido era culpa daquele maldito livro e da energia erótica que veio da leitura, a gente não tinha nada a ver com aquilo. Virou meio uma piada interna nossa: a partir desse episódio, se uma reclamava que a vida estava pouco sexual a outra logo falava “vai ler Milo Manara”.

 

Mas, brincadeiras à parte (e independente de a culpa do que rolou ser ou não do Manara) cada vez mais eu vejo a importância de conscientemente erotizar a vida. Quanto mais coisas temos pra fazer, quanto mais pressão temos no trabalho, mais a libido é direcionada pra outras coisas e o sexo acaba ficando em segundo plano, coitado, espremido entre a aula de pilates, as redes sociais, os vários emails pra responder e a realização dos mil projetos que temos no mês, como se fosse um passatempo sem tanta importância. E quando falo sexo não me refiro apenas ao ato em si, mas também ao pensamento sobre, a energia sexual que é energia vital. Pensar em sexo é essencial, o erotismo é uma energia afirmativa como poucas. Não é ter tesão com o objetivo único de transar, é ter tesão pra ficar mais viva, mas bonita, com mais vontade de viver e fazer as coisas. Muda o sorriso, muda o olhar, muda a interação com os outros. E é algo que, na correria do dia a dia, nem sempre acontece naturalmente. E justamente por não vir sempre naturalmente (especialmente se sua vida é corrida como a minha) que eu sempre digo que temos que buscar esses elementos eróticos, incluí-los conscientemente em nossas vidas. Da próxima vez que você estiver numa fase não muito sexual, lembre dessas dicas que vou dar aqui pra spice up your life. Garanto que funciona. Só não vale me culpar depois.

 

1) Manara, o culpado

 

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Ler as HQs do Milo Manara é infalível. Ele arrasa. É subversivo, nada óbvio, é mais excitante do que qualquer filme pornô. Não só pelos desenhos (que deixa com tesão até o mais frígido dos seres humanos) mas pelas histórias. Ele é safadíssimo e aborda vários tabus sem pedir desculpa. “No meu erotismo a mulher é um sujeito sexual, mais do que um objeto”, disse ele certa vez em uma entrevista. E, de fato, quem conhece a obra dele sabe que suas personagens são sempre sujeitos sexuais muito ativos e cheios de vontades.

 

2) Xvideos.com, Redtube.com,Kink.com, etc

 

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É óbvio mas não é, porque muitas mulheres falam mal desse tipo de pornô que é focado no público masculino. Mas eu curto e preciso defender o efeito positivo e imediato que eles podem ter. E acho que parte desses comentários negativos das mulheres se deve a uma certa ideia, (que a meu ver, é muito construída culturalmente), de que mulher  não se excita tanto visualmente, de que mulher tem uma visão mais delicada quando o assunto é sexo. O que é mentira, todo mundo gosta de putaria.  E não acredito muito naquelas que dizem “eu não me excito vendo pornô”. Nenhuma mulher passa incólume por um pau duro na tela ou uma boa trepada entre dois bons atores pornôs.Você pode escolher o que ver, se achar algo ali ofensivo ou não excitante, escolha outro vídeo. Certamente vai ter algo ali que te empolgue. E é uma maneira rápida de trazer essa energia erótica pra seu dia. Nem sempre a gente quer ver uma história longa com bom roteiro e diálogos legais etc, às vezes quando buscamos as sensações que a pornografia pode nos proporcionar, queremos simplesmente gozar. O fast foward to the action faz parte do pornô. É pra passar pra frente mesmo, se quer ver uma história erótica bonita & cool com luz incrível e bom gosto,  busque outra coisa, sei lá, um filme do Bertolucci, mas não me diga que pornô não excita

 

3) E já que falamos em Bertolucci…

 

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Filmes do Bertolucci pra mim sempre funcionam. Alguns mais fortes como o Último Tango em Paris (com Marlon Brando e Maria Schneider e suas cenas tórridas) trazem a energia erótica rapidinho de volta. Tem o Beleza Roubada, um dos meus preferidos, tao delicado, lindo, sensualidade com toda beleza & bom gosto que você não encontra no pornô. Os Sonhadores, com aquele triângulo amoroso bem peculiar, também tem cenas bem intrigantes. Gosto muito da forma como Bertolucci retrata a sensualidade. Uma visão poética e visceral.

 

4) Erika Lust  e o pornô para mulheres

 

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Está cada vez maior esse nicho de pornografia feita para o público feminino. A sueca Erika Lust é uma das pessoas mais interessantes desse rolê. Sou louca pra entrevistar ela. Formada em ciências políticas e grande estudiosa do feminismo, ela resolveu ser produtora e diretora de filmes pornôs para mulheres, virando referência no assunto. Seus filmes são muito eróticos e tem um cuidado incrível com a estética e um ponto de vista totalmente feminino. Vá lá no www.lustcinema.com para assistir os filmes.

 

5) Anais Nin

 

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Sou fã de literatura erótica. Se fosse pra escolher um estímulo entre todos esses que estou citando aqui, eu certamente escolheria os livros da Anais Nin. Ninguém fala de sexo como ela. O livro Henry & June (no Brasil foi lançado pela L&PM) é parte de seu diário e é um dos meus livros preferidos. Ali ela conta sobre seu romance com o escritor Henry Miller e sua mulher June. Jogue longe seu 50 Tons de Cinza e descubra erotismo de verdade.


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