As mulheres mais incríveis do rolê

by: Carol Teixeira -

Hoje, no Dia da Mulher, resolvi falar um pouco sobre algumas mulheres que me inspiram.

Porque feminismo, mais do que qualquer outra coisa, tem a ver com isso: com aplaudir outras mulheres ao invés de competir, aprender com outras mulheres arrasantes e absorver o que elas, em suas forças e delicadezas, tem para nos inspirar.

 

E feliz dia para todas nós que com nossos ciclos e complexidades reafirmamos a vida over and over. Amo ser mulher e acho que isso fica muito claro nos meus textos que, mesmo não tendo inicialmente esse objetivo, acabam sendo sempre uma celebração do feminino.

 

Vamos às damas incríveis então:

 

Lou Salomé

 

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Gosto tanto que botei o nome nela na minha gatinha. Lou Andreas Salomé (1831 – 1967) foi a mulher que pirou a cabeça de intelectuais da época como Rilke, Paul Rée e o próprio filósofo Nietzsche, que a teve como a única paixão de sua vida. Deixou todos enlouquecidos. Nem Freud explicava ela. Era linda, inteligente, intelectual, apaixonada pela vida e muito sedutora. Escreveu livros como “A humanidade da mulher” e “Reflexões sobre o problema do amor”. Foi contra todas as regras morais e nunca aceitou o lugar que colocavam a mulher na época, tanto que a irmã de Nietzsche, ao vê-lo tão encantado com tal musa, foi conhecer ela e ficou chocada com a naturalidade com que a moça falava sobre temas delicados como Deus, sexo e moral. Pura causación. Tenho ela como grande exemplo.

 

Patti Smith

 

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Amo. Juntou o rock com a poesia de uma forma única – o que talvez, metaforicamente, represente a maneira com escolheu viver sua vida: com força gritante e delicadeza sussurrada. Cresceu em Nova Jersey e se jogou para Nova York com um livro de Rimbaud e nada no bolso. Lá acabou se tornando um dos principais símbolos da contracultura dos anos 1970 e viveu uma história de amor muito peculiar com o fotógrafo (também ícone da época) Robert Mapplethorpe, que a marcaria por toda uma vida. A história foi o ponto de partida de sua autobiografia “Só Garotos”, livro incrível no qual ela fala sobre a relação com ele e também sobre sua jornada que passa por artistas como William Burroughs, Allen Ginsberg, Janis Joplin e Hendrix. Livro lindo que traz muito à tona a natureza turva das relações, a relatividade da vida, a inquietude dos que “são indefinidos e não podem ser definidos pelo mundo”. Fica a sensação de que tudo é possível quando se tem uma alma que vai além de um mundo já mapeado pelos que são limitados por rótulos, noções e palavras. Totalmente Patti Smith.

 

Camille Paglia

 

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Polêmica socióloga americana que escreveu Vampes & Vadias, livro que para mim é a bíblia do pós-feminismo. É desse livro aquele trecho que eu já citei em alguns textos: “Eu diria para os homens: fiquem de pau duro! E para as mulheres: lidem com isso!”. Talvez seja a pensadora viva com cujo discurso sobre gênero eu mais me identifico. Muito contemporânea, sempre analisa ícones do nosso tempo. Foi ela que disse que Madonna fez mais pelo feminismo do que muitas feministas.

 

Lena Dunham

 

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Acho ela incrível, girl power total. Escreve, dirige e protagoniza a série Girls, da HBO. Fora dos padrões de beleza, causou polêmica pela naturalidade com que aparecia nua na série. Já foi premiada no Golden Globes e foi a primeira mulher a ganhar o prêmio de melhor diretora na categoria série de comédia no Directors Guild Award. De uma forma leve e bem humorada Lena reafirma com sua arte e sua forma de ser mulher o que talvez seja a maior lição a ser aprendida por nossa sociedade: a de que as mulheres não devem nunca ser limitadas pelo que esperam que elas sejam.

 

Aqui, posts anteriores do blog que escrevi sobre minhas outras musas que também merecem estar nessa lista:

 

Beyoncé:

 

http://aobscenasenhoritac.virgula.uol.com.br/eu-beyonce-e-o-feminismo/

 

Madonna:

 

http://aobscenasenhoritac.virgula.uol.com.br/express-yourself/

 

Kate Moss:

 

http://aobscenasenhoritac.virgula.uol.com.br/kate-moss-e-a-dialetica-da-causacao/

 


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