Dez presentes reais para o Dia da Mulher, por Carol Teixeira

by: Carol Teixeira -

[Texto publicado no Jornal A Crítica de Manaus, AM]

 

No Dia Internacional da Mulher, há o lugar comum de se falar em presentes como flores, jóias, roupas e outros agrados que não deixam de ter sua importância. Mas o Portal A Crítica quis ir além e convidou a filósofa e escritora Carol Teixeira, colunista da revista VIP, para falar sobre presentes reais, que podem, de fato, modificar a realidade feminina no dia a dia.

Confira, a seguir, a lista “Dez presentes reais para  o Dia da Mulher”, por Carol Teixeira*.

1. Que surjam no mundo do entretenimento mais mulheres com discursos e exemplos como os de Lena Dunham, Beyoncé, Alicia Keys, Madonna (o que foi aquele discurso lindo na premiação da Billboard?). Mulheres que se posicionam e mostram que é possível estar dentro do establishment e fazer as coisas do nosso jeito – seja ele qual for.

 

2. Que possamos nos unir cada vez mais e afastar a ideia (tão presente em nossa criação) de que devemos competir umas com as outras. Precisamos inspirar umas as outras, falar bem umas das outras, exaltar nossos exemplos femininos e dar exemplos de força e atitude para as próximas gerações.

3. Que os homens parem de ser ‘deseducados’ pelo pornô achando que as mulheres curtem sexo tipo britadeira e gozam em 5 minutos.

4. Que as mulheres parem de fingir orgasmo. Isso é uma praga, deseduca os homens para as próximas mulheres e só dificulta a mudança do item anterior. Sororidade, manas.

5. Que o homem que não entende o que é  feminismo pare de chamar de ‘feminazi’ qualquer mulher que traga alguma questão sobre o tema. Admita que não teve a mesma vivência que ela e se mostre aberto para entender o lado do outro.

 

6. Que você, mulher que acha que feminismo é um mimimi chato e diz que ‘não é obrigada a ser feminista’, pare pra pensar que talvez não entenda a abrangência desse termo. Se parar vai ver que você está de acordo com a luta do feminismo, sim: ou você quer ainda ganhar menos que o homem? Acha ok ter que aguentar homens incomodando na rua com cantadas sem respeito? Acha tranquilo uma mulher que tem uma vida sexual livre ser chamada de puta enquanto o homem que transa com várias é considerado garanhão? Acha normal uma mulher que é estuprada ser frequentemente culpada ou questionada sobre a sua responsabilidade? Duvido que esteja de acordo com tudo isso. Você não precisa estar de acordo com as rad-fems (feministas radicais) para se considerar feminista. Existem várias formas de viver o feminismo, vide os exemplos que citei no primeiro item. Se formos considerar a definição da Chimamanda Ngozi, por exemplo, (“Feminista: alguém que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”), somos todas feministas.

7. Que mais mulheres se sintam livres para falar sobre sexo livremente, expressar seus desejos sem serem julgadas. O empoderamento passa pela expressão livre e pela posse da sexualidade.

 

8. A descriminalização do aborto pela compreensão de que isso não significa banalizar a vida ou ser a favor necessariamente da prática do aborto, mas sim, respeitar o direito de escolha da mulher como dona do seu próprio corpo. E evitar que mulheres – que fazem quando querem de qualquer modo – acabem arriscando suas vidas fazendo de forma clandestina, especialmente as com menos recursos financeiros.

9. Que possamos ser mulherzinhas também, não ver isso como um xingamento. Não precisamos endurecer para sermos fortes. A compreensão de que podemos tudo deve se estender a isso. E que a gente reconheça que a força feminina é diferente da do homem, tem suas próprias peculiaridades  – e que ela é linda.

10. Que acabe a dicotomia do sexy-ou-inteligente. Uma mulher não precisa abdicar de sua força sexual para ser respeitada. A mulher pode ser tudo que ela quiser – mas acho que ao final dessa lista você já entendeu isso né?

Carol Teixeira e Sasha Grey / Foto: Allysson Alapont

 


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