Express Yourself

by: Carol Teixeira -

(Pra complementar meu post anterior: texto meu sobre a Madonna publicado na Revista Donna do Jornal Zero Hora, em dezembro do ano passado, quando ela esteve no Brasil. Um bom exemplo pra minha teoria.)

 

Madonna me faz lembrar algo que Henry Miller escreveu: “Não tenho nenhum respeito pelo artista, por maior que ele seja, que não coloque sua arte em prática na sua vida. Acredito que moral e estética fazem apenas um.”

Se o genial & safado autor dessa frase tivesse conhecido Madonna, ele obviamente a aplaudiria de pé. Porque ela tem essa verdade artística, essa conexão total ente discurso e ação. E disso vem seu poder e a magnitude de sua influência sobre o mundo. Ela é uma mulher que inspira SENDO. E por isso ela fez mais pelas mulheres do que muitas feministas queimadoras de sutiã. Porque discursos podem ser inspiradores mas as verdadeiras mudanças só vem de ações, de exemplos práticos, de gente que dá a cara a tapa e faz.

 

Nos anos 80, época na qual as mulheres achavam que tinham que abdicar de sua feminilidade e poder sexual em prol do poder recentemente alcançado no mercado de trabalho, Madonna se fazia objeto sexual e mostrava que podia ser sexy, inteligente e estar no poder. Objeto e sujeito ao mesmo tempo. Uma subversão epistemológica regada a muitos flashes e coreografias.

 

Numa época em que a idéia da maternidade ainda era associada com a idéia de casamento e família, Madonna decidiu que queria ser mãe e não esperou o príncipe encantado – engravidou do seu personal trainer com quem tinha um casinho na época, acabando a história pouco depois. Então resolveu ter uma família, casou com o cineasta Guy Ritchie e fez o papel da esposa ideal, da mãe conservadora que não deixa os filhos verem TV. Após alguns anos, já separada, pegou o lindo e jovem Jesus Luz, sem ligar pro machismo reinante que ainda vê com estranhamento mulheres com homens bem mais jovens.

 

Já dizia Patti Smith: “a contradição é o caminho mais claro para a verdade”. Madonna é livre e sábia porque que se permite viver todos os seus arquétipos – o da santa, o da puta, o da mãe, o da louca – por mais contraditórios que eles possam parecer. Pra mim, essa é melhor definição de liberdade. E é aí que toda essa explosão estética toma uma relevância existencial.

 

Nunca esqueça da lição da musa (lição que eu sempre segui à rica): Express yourself. Sem medo. Porque, como disse Lady Gaga (uma entre tantas artistas que tiveram seus caminhos abertos por Madonna), “Vergonha é um conceito obsoleto e se desculpar é uma injustiça pra qualquer performace”.

 

E pra qualquer vida, eu diria. Só assim, expressando sua individualidade sem pedir desculpas pelo que se é, se chega em alguma espécie de verdade e se faz diferença nessa vida. O resto é um mundo já mapeado. Madonna sempre soube disso.

 

 


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