#GozaNaMinhaBoca: por que o prazer feminino incomoda tanto

by: Carol Teixeira -

(texto meu publicado na Revista Donna do jornal Zero Hora)

Não assisto ao Big Brother Brasil mas em tempos de redes sociais é impossível passar incólume pelas notícias, sejam elas do seu interesse ou não. Manchete du jour: a gaúcha Emily, do BBB, transa embaixo do edredom com o médico Marcos e diz: “goza na minha boca”.

Antes de ver a cena em si, o que me chamou atenção foi a enxurrada de julgamentos e opiniões ofensivas sobre a menina na internet. Qual o problema? Ninguém goza na boca de ninguém aí? Ou o motivo do julgamento é justamente nosso machismo de todo dia?

Lembro da musa Madonna em seu discurso no evento da Billboard, ao ser eleita mulher do ano, falando ironicamente que: “Você tem permissão para ser bonita, fofa e sexy. Você pode ser objetificada pelos homens e pode se vestir como uma prostituta, mas não assuma e se orgulhe da vadia em você. E não, eu repito, não compartilhe suas próprias fantasias sexuais com o mundo. Seja o que homens querem que você seja e, mais importante, seja alguém com quem as mulheres se sintam confortáveis por você estar perto de outros homens”.

Ser mulher e assumir que curte sexo é ainda estranhamente subversivo. Sei bem. Sim, porque hoje até podemos aparecer de forma sensual, sair seminua no carnaval mas falar que curte sexo? Expressar livremente nossos prazeres? Pedir pra gozar na boca? Deixemos para as atrizes pornôs ou para as quatro paredes porque, por incrível que pareça, em pleno século 21, o maior tabu ainda é o prazer feminino. Não só para os homens, também para algumas mulheres. Mulheres ainda fingindo orgasmo por receio de dizer o que as faria chegar lá, homens ainda julgando mulheres que curtem sexo casual e gente na internet crucificando essa menina que simplesmente estava fazendo um sexo que parecia estar bem gostoso e falando algo tão corriqueiro numa relação sexual. Não é louco isso?

É nesse tipo de momento que eu amo o fato de eu ser colunista de sexo, especialmente por ser numa revista masculina (escrevo há sete anos na Revista Vip). Nunca fui uma outsider, sempre curti ser apocalíptica dentro dos integrados, causar & fazer pensar ali justamente no meio dos grupos que precisam pensar sobre o tema. E sempre me posicionei como uma mulher que gosta muito de sexo – minha última coluna tem o título “O sexo como eu gosto” e tem me rendido algumas várias mensagens me questionando o porque dessa exposição – o que só endossa tudo isso que apontei aqui como problemas sérios da nossa sociedade atual.

Mas voltando a Emily: eu, particularmente, acho que as pessoas que estão falando mal dela deviam ir lavar uma louça. Ou ir pegar alguém em algum bloquinho de Carnaval. Ou, melhor, ir gozar na boca de alguém e parar de encher o saco perdendo tempo criticando o prazer alheio.


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