O tombo da Madonna

by: Carol Teixeira -

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Ontem, durante mais uma apresentação arrasante no Brit Awards, a musa Madonna levou um tombo enquanto um dançarino tentava tirar a capa que fazia parte de seu figurino. A primeira coisa que pensei ao ver foi: esse dançarino vai ter sua cabeça cortada no backstage assim que o show acabar. A segunda foi: tomara que ela não fique muito constrangida e consiga recuperar a pose. E a terceira: que bom que ela levou esse tombo. Mas não pensei isso num sentido #bitch tipo haha-que-bom-que-ela-se-fudeu , não. Foi mais no sentido de achar fofo, aquilo humanizou tanto a superpoderosa e inatingível Madonna. Ela constrangida, tentando levantar e continuar o show, achei humano, real, achei ela mais incrível. Tipo era um show importante, devem ter rolado inúmeros ensaios, etc e, porra, a capa não abriu e ela caiu. Acontece.

 

E então fiquei pensando: eu ter curtido esse tombo é metáfora de toda uma percepção que tenho tido nos últimos tempos. Tenho pensado muito sobre o poder da desconstrução, de como é interessante e até sedutor essas falhas nas perfeições que a gente insiste em mostrar o tempo todo. Essa necessidade de se mostrar muito cool e muito incrível e feliz – que chega às raias da loucura nas redes sociais e estamos levando para nossas vidas reais não virtuais. As pessoas estão com tanto medo de mostrar suas vulnerabilidades que quando eu enxergo alguma acho bonito e até mais interessante. Ser feliz & cool é tão o padrão ultimamente que quando vejo algo mais real aquilo me toca num nível imensamente mais profundo.

Pensando bem ando achando até cafona essa coisa de supermulher que equilibra per-fei-ta-men-te carreira & filhos & marido & terapia & pilates funcional & sucos verdes matinais. So last season.

 

E sinto que a maneira como eu tenho me colocado frente aos outros tem mudado também com esse pensamento. Ando me mostrando mais humana, fazendo bom uso desse artigo de luxo, a vulnerabilidade. E sabe que tem sido mais interessante? Além de eu estar mais tranquila, tenho atraído pessoas mais interessantes também (porque as pessoas que valem a pena não estão interessadas no carão que você faz no instagram, believe me). Ser mais a gente mesmo é bem legal, viu? Viver sem essa necessidade de projetar essa perfeição e felicidade histérica.

Tente você também. Os tombos reais e metafóricos nos humanizam muito – e isso é muito mais cool.

 

Por uma alma mais normcore. Por um mundo com mais tombos.


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