Por um mundo mais resort-libertino

by: Carol Teixeira -

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Bom, primeiro preciso explicar porque dei essa sumida do blog: fiquei um mês fora do Brasil viajando por vários países fazendo um programa para o canal Multishow. Quando chegar mais perto da estreia conto mais sobre, mas já posso dizer que é um reality e que investiga o universo sexual dos países visitados de uma forma causadora e divertida. A parte ruim foi que fiquei meio distante do blog por simplesmente não ter tempo pra escrever (e senti muita falta). A parte boa é que fui anotando todas minhas impressões pessoais no meu Moleskine e vou contar tudo o que achei interessante – sob o meu ponto de vista – aqui para vocês. Conheci pessoas loucas & incríveis, lugares inacreditáveis e aos poucos vou ir contando tudo para vocês. E já to preparada para me sentir como Holden Caufield, personagem de O Apanhador no Campo de Centeio (de JD Salinger), que no fim do livro diz: “A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo..”.

 

Preparada para sentir saudade.

Rewind.

 

***

 

Vou ter que começar falando sobre uma das coisas que mais curti na viagem: o Temptation, resort libertino em Cancun. Por libertino leia-se: roupas opcionais, swinger friendly, pessoas lindas, clima de festa & liberdade. Ah, e tudo isso no maior dos luxos. Como não amar? Já tinha passado da meia noite quando cheguei lá exausta com a equipe, cheia de malas na recepção do hotel. Ok que o clima quente de Cancun já tinha me relaxado e me deixado num bom humor súbito que nem eu entendia de onde vinha (rá) , mas a verdade é que tudo que eu queria era minha cama para acordar bem no dia seguinte e aproveitar a causação. Uma música alta vinha de um salão que era separado do lobby apenas por uma porta de vidro. Uma loira com um salto enorme e um biquini prata saía da área dos quartos e entrava na tal salão. A porta automática abriu e eu pude ver a festa animadíssima que rolava ali. Enquanto eu fazia check in um negro lindo (que posteriormente seria disputado por algumas meninas da equipe) passa por ali e diz “You’ll have fun…”

 

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Welcome to Temptation, babe.

Sem ter outra opção para comer naquele horário (uma das várias táticas para te manter sempre no clima festivo) tivemos que entrar na festa para comer. Uma mulher vestida de mulher- maravilha-sexy esperava as batatas fritas ao meu lado na fila da comida. Ao lado um casal na faixa dos 50 anos divertia com alguns solteiros ao redor (o cara gostava de ver a mulher causando com outros). Clima sensual mas nada era explícito. Uma morena linda de vinte e tantos anos com um biquini e sainha (como se tivesse recém saído da praia), dançava sorridente no meio de todos roubando as atenções enquanto o grupo de amigos virava doses de alguma bebida. A festa era cheia, histericamente animada e não havia nenhum equilíbrio estético entre os looks e idades e tipos de pessoas – e por isso era tão legal. Senti que se eu quisesse dançar, sei lá, o Harlem Shake em cima do balcão eu poderia e não seria nem um pouco estranho. Mas, podem respirar aliviados, não fiz isso. Dancei em cima do balcão numa outra noite, mas isso é outra história…

 

Talvez a palavra que melhor defina o resort Temptation não seja libertinagem, mas liberdade. É o lugar mais livre que conheci. Porque ali a pessoa se sente à vontade até para não causar se não quiser. Explico: quando eu fiquei sabendo da existência desse resort achei incrível e logo imaginei um clima de orgia 24 horas, pessoas nuas e lindas indo lá com o único objetivo de transar. O Temptation também pode ser isso (se você quiser) mas é muito mais – mais leve, mais divertido, mais acolhedor – do que imaginei. Das pessoas que conheci, muitas me disseram que iam lá duas vezes por ano. Por isso muitos grupo se conhecem, se reencontram sempre e nem sempre isso envolvia sexo.

O primeiro amigo que fiz na piscina foi o macaquinho, logo ao acordar após essa noite.

 

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Achei uma coisa tão turística e fofa pagar 12 dólares para fazer uma foto com o macaquinho que me permiti. E logo depois fui ao bar da piscina e pedi uma piña colada – foi mais forte que eu, juro. O barman bronzeado & caribenho me olhou e eu não consegui dizer outra coisa que não um “una piña colada”, bem convicta. Não é cafona & ótimo? Adorei o lugar imediatamente. Me sentia livre numa vibe não-preciso-ser-cool-quero-só-me-divertir. E adquiri uma personalidade flirty sem que eu me esforçasse para isso (pausa para minhas amigas morrerem de rir e falarem “como se você não tivesse…”) porque simplesmente tudo no lugar te leva a essa abertura para pelo menos sorrisos e flertes inofensivos. As pessoas mega simpáticas (essa talvez seja a principal característica do resort, a simpatia) andavam cada uma no seu clima, a maioria das mulheres de topless, grupos animados de várias idades na maior e melhor materialização que você pode imaginar da palavra “férias”. O foco ali realmente não era nos casais, mas mais nos solteiros. Homens bonitos e bronzeados andavam num clima obviamente aberto para sexo or something like that mas sem nenhum clima incoveniente que você poderia se deparar numa balada normal. Comparo com “balada” a área da piscina porque é isso mesmo que parecia, uma constante pool party que só ia ficando mais tranquila no fim da tarde. Quer dizer, tranquila não é bem a palavra: a música e a causação festiva não eram mais tão histéricas mas os participantes (em menor número que durante a tarde) se permitiam uma maior libertinagem. Se você não quer ver ou fazer parte disso (não foi meu caso porque eu quis ver tudo, of course) é só ir para a outra piscina a poucos metros dali que funcionava como uma espécie de contraponto à outra, a da #causación.

Depois fui escrever na praia particular do resort (alguém tem que trabalhar né..) numa rede distante em frente a alguns quartos. Estava lá quando chegou um homem e uma mulher que aparentemente se conheceram ali (deduzi pelas perguntas dela na linha “você é casado?’ ) e começaram a conversar. E a jogar vôlei (!) na mini quadra na praia em frente.

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(eu deitada na rede escrevendo e ouvindo o papo deles)

 

Aos poucos foi chegando mais gente perguntando “podemos nos juntar a vocês?”, pessoas que também não se conheciam. Começaram jogar vôlei todos felizes e bêbados e falantes, amigos de infância em minutos. Achei legal isso, todo mundo tão aberto, uma vibe tão boa, uma amizade tão fácil (me perguntei porque não é sempre assim no mundo) que me senti melhor ainda e fui na piscina buscar minha segunda piña colada (me deixem, eu estava muito no clima). Meu amigo macaquinho não estava mais ali, então interagi com um casal americano lindo que estavam ao redor do bar. Me contaram que iam pelo menos uma vez por ano e que nem sempre era uma loucura a ver com sexo, que iam mesmo pelo clima livre que não era necessariamente sexual – mas que quando rolava era bem incrível.

Na segunda noite, de novo na festa (que acontecia todo dia, sempre com um tema diferente), depois de tocar como dj (eu e a equipe já estávamos íntimos amigos da galera do resort) fui perguntar para um casal em um grupo se eu podia entrevista-los. A loira do casal ao lado desse me interrompeu eufórica dizendo que eu era linda e que adorava meu cabelo colorido etc e, sem pedir licença (haha), puxou minha blusa para o lado e lambeu meu peito (!) enquanto eu olhava num clima meio #wtf?? para o marido dela e para o casal que eu estava tentando entrevistar que olhavam a cena como se fosse uma situação muito normal. Eis que a outra, integrante do casal que eu queria entrevistar se empolga e resolve fazer o mesmo. Eu deixei, né? Negar isso na pista libertina seria como não se jogar na piña colada numa balada da piscina de Cancun. Até que eu disse: “o diretor ta me esperando pra gravar!” (que era verdade). E  consegui levar um dos casais para entrevistar, mas vocês vão ver no programa. Também vão ver eu tocando como DJ no lugar, as meninas que apresentaram o programa comigo causando no palco e saberão que destino teve o negro lindo que encontramos na recepção na chegada. Wait and see.

Mas, libertinagem à parte, saí de lá num clima “por um mundo mais resort-libertino!”. Como me disse uma das pessoas que conversei na balada da piscina, “se as relações e amizades fossem sempre leves e fáceis como são ali o mundo seria um lugar melhor.” E não é?

 

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Brindamos com piña colada e eu pensei, feliz, que meu próximo destino era o Hedonism na Jamaica, outro resort libertino. Ainda faltava um tempinho para eu voltar para o mundo real.

 

(acompanhem aqui no blog que logo eu posto sobre o Hedonism)

 

 

 


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