Porque precisamos parar com essa mania de proteger o ego masculino

by: Carol Teixeira -

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Esses dias vi uma cena da série How I met your mother na qual o personagem estava jantando com uma bela mulher num primeiro encontro. Tudo ia bem até que ele recebeu uma mensagem dos amigos mostrando o resultado de uma rápida pesquisa no Google sobre ela. A mulher era mega poderosa, tinha mil coisas impressionantes no seu currículo. Não lembro exatamente o que, mas eram informações suficientes para que ele achasse ela muito foda – e imediatamente travasse no date que estava indo tão bem. Depois de ver essa mensagem ele perdeu completamente a naturalidade, ficou nervoso e estragou o clima do jantar. O fato de estar diante de uma mulher muito incrível o desestabilizou e a incapacidade dele de lidar com isso estragou tudo.

 

Lembro que quando vi essa cena pensei “preciso escrever sobre!” porque vejo com tanta frequência isso ao meu redor. É tão padrão que chego a ouvir várias amigas falando coisas como “Não falei muito sobre tal coisa pra nao assustar, né?”. Sendo “tal coisa” algo incrível sobre o trabalho dela ou algum feito que impressionasse (e intimidasse) o cara. Até eu já me vi em certas ocasiões tentando não intimidar o cara, evitando de falar muito sobre coisas legais que faço ou detalhes da minha bio que pudessem impressionar ele demais. E isso é tão absurdo.

 

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Uma vez entrevistei para minha coluna na Vip o jornalista americano Daniel Bergner quando ele tinha acabado de lançar seu livro O que as mulheres realmente querem, um estudo interessantíssimo sobre a sexualidade feminina no qual ele quebra vários tabus e vai contra muitos dos mitos que as pessoas criaram sobre sexualidade da mulher ao longo da história. Volta e meia me pego lembrando de uns trechos porque me rendeu muitos insights. Mas uma das coisas que mais me marcaram foi algo que ele disse na entrevista quando eu perguntei qual a melhor dica que ele poderia dar para um homem. Ele me respondeu:

 

“Eu diria: tente ouvir. Mas isso não significa que você tenha que ser politicamente correto ou excessivamente gentil e sensível. Apenas significa que você precisa estar apto a fazer perguntas (mais de uma vez, porque você pode não ter uma resposta honesta de primeira já que mulheres com frequência protegem nossos egos). E você deve estar preparado para ouvir respostas que podem te deixar, a princípio, desconfortável. Nossa cultura construiu muitos mitos sobre as mulheres e a sexualidade – mitos que servem pra confortar o homem. Nós homens precisamos estar dispostos a sermos desestabilizados, talvez até mesmo um pouco amedrontados.”

 

“…Já que mulheres com frequência protegem nosso egos”. Essa frase ficou ecoando na minha cabeça. Sim, estamos sempre protegendo os egos masculinos, e isso é absurdo. E acontece sem que a gente perceba, porque, como ele disse nossa sociedade construiu ao longo da história mitos que servem para confortar os homens. E a preocupação com que nosso sucesso intimide algum homem num primeiro date ou numa relação é algo que devia ser extinto do universo feminino. Meninas, parem com isso. Se tem um cara que não consegue lidar com nosso sucesso, simplesmente procure outro, não edite tudo que você é pelo cuidado de não amedrontar o outro. Simplesmente procure quem consiga lidar e pronto.

 

E se você é homem e está lendo esse texto, clica aqui nessa coluna que já escrevi sobre o tema – “Quem tem medo de mulher?” – na qual eu falo justamente sobre isso: por que o homem não precisa temer a supermulher.

 


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