Ressignificando o amor (um texto do bem)

by: Carol Teixeira -

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Esses dias vi uma foto de um ex meu com uma atual namorada, com uma legenda muito feliz. Minha sensação imediata foi de felicidade por ele, um carinho enorme, um desejo de que ele esteja bem. Essa minha reação fofa me lembrou de algo que eu sempre digo: posso não ser a namorada ideal, mas a ex ideal eu sou. Todo o desequilíbrio que às vezes tenho durante uma relação misteriosamente se transmuta nessa assombrosa sensatez quando não estou mais com a pessoa. Sempre fiz questão de ser uma boa ex e isso sempre fluiu naturalmente pra mim.

Nunca vou ser aquela que fica tentando manter o cara na minha mesmo sem querer ele, só pra alimentar meu ego. Nem vou ser o tipo de ex que só lembra das coisas ruins ou dos motivos que me fizeram terminar. Tento sempre manter uma boa relação com quem passou amorosamente na minha vida, e sempre com cuidado e limite: ser legal mas não a ponto de fazer ciúme para a atual namorada do cara ou para o homem que está atualmente comigo. Acho essa educação muito essencial e respeitosa e acho muito estranho que existam tantas ex malas por aí. E como existem. Isso se dá porque nos ensinam a competir pela atenção de um homem e, dos resquícios machistas, esse talvez seja o que eu mais vejo mulheres escorregando. Porque nem sempre elas percebem de onde vem isso. Mas certamente vem desse espírito competitivo feminino que não é natural, é cultural. Por que temos que competir com a atual de nossos ex namorados? De onde vem esse sentimento pequeno de posse?A vida passa. Precisamos deixar o outro seguir seu caminho e aprender a ficar feliz por ele assim como queremos que ele fique feliz por nós.

Ando nessas de ressignificar as pessoas e nesse processo tenho compreendido que o amor tem mil facetas. Lembro dos gregos que têm nomes diferentes pro amor. Por exemplo, eles chamavam de philia o amor desinteressado, amor bom, que quer somar. Eros era o nome que davam ao amor apaixonado, que quer possuir. Faz todo sentido dar vários nomes para o amor, não faz sentido uma única palavra para denominar algo tão amplo com tantas ramificações . Mas o único amor que aprendemos quando se trata de uma relação sexual/romântica é o amor passional e o que vem quando ele tem fim geralmente é algo negativo na mesma intensidade da passionalidade existente no relacionamento. Mágoas, culpas, afastamentos radicais ou ciúmes dos próximos que virão depois de nós. Por que não simplesmente ressignificamos o amor? Muito mais bonito é transmutar em carinho e respeito que é o que sobra depois de ter sido tão íntimo de alguém, ter dividido o tempo e a vida com outro. Tirar o ego e o orgulho da jogada, que eles só atrapalham tudo sempre. E parar de seguir uma cartilha que nos é passada, de que o que vem depois do amor precisa ser algo negativo ou a indiferença. O que vem depois do amor deve ser amor – outro tipo mas ainda assim, amor. Se passa do eros à philia. E isso não ameaça o próximo, que vem com a carga erótica passional que esse já não tem mais.
Tudo isso me veio à mente quando eu estava pensando na dedicatória do meu novo livro que será lançado em julho. Instintivamente me veio uma dedicatória que é bem justificada pelas palavras desse texto:
“A todos que amei”.
E eu achei bonito, achei leve. Porque a vida deve ser doce, coisa que a passagem do tempo felizmente vai nos mostrando.


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