SIM ou Pensando 2014 e 2015

by: Carol Teixeira -

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Quando eu era criança brincava de ser adulta. Hoje, que sou, continuo sentindo como se brincasse porque a cada ano que passa percebo mais que, como diz o Woody Allen, a vida só depende de como iremos distorcê-la. E eu optei por distocer da forma mais leve possível. Densidade só se for na profundidade pra sentir ou analisar o que acontece, mas nunca na interpretação pesada. Passo voando, flutuando. Por isso me permito ter vários novos anos ao longo de um único ano, mudanças que acontecem não só nas cores do meu cabelo que passam de rosa a verde num piscar de olhos. Mas mesmo assim tenho uma alegria infantil com o reveillon, o grande recomeço. Me irrito inicialmente com essa euforia autorizada mas logo me derreto e acho lindo e choro e faço listas.

 

Em 2014 solidificou em mim a ideia de que ser cool é um conceito tão overrated – ser leve & aberto & de verdade é muito mais legal. E ser delicado, gentil – try a little tenderness. E pense duas vezes antes de julgar alguém, está todo mundo se esforçando para ser melhor, assim como você. Em 2015 quero rever mais pessoas que fizeram parte da minha história porque agora eu consigo ver ela sob uma perspectiva mais ampla, vejo o quanto os fios estão conectados. E que a gente se torna quem a gente é também por todos que participam da nossa trajetória. E eu sou profundamente grata a todo mundo que passou pela minha vida. Também aprendi que disciplina é liberdade, é o que nos dá paz pra voar. E que nada é mais importante do que minha paz, minha casa, minha escrita, que nada vale o meu tempo contemplativo, o momento em que eu entendo as conexões de tudo com tudo. E que caminhar no parque é muito bom. E ficar mais em silêncio também: ouvir mais os outros é ótimo. Pessoas me inspiram tanto.

 

Em 2015 eu quero estar perto de gente à flor da pele que nem eu, gente que se arrepia ou enche o olho de lágrima durante um papo, meio inadequadamente, gente que se entrega. Se antes isso era importante, agora isso virou essencial.

Fazendo essa minha reflexão de passagem de ano lembrei também da escritora espanhola Rosa Montero, que dizia estar acostumada a organizar as memórias da vida dela ao redor das lembranças dos relacionamentos que teve e dos livros do publicou. Também organizo minhas lembranças em torno de livros e amores, e essas duas coisas são misteriosamente conectadas pra mim. Lembrei aqui que acabei de escrever mais um livro e vou lançar ele ano que vem o que significa que em 2015 talvez eu me apaixone. Mas certeza, certeza mesmo é que eu quero viver mais o dia e ter muita energia pra continuar criando. Vivo pra criar, essa é outra coisa que ficou mais clara pra mim em 2014.

 

De resto, chego em 2015 sendo ainda melhor amiga do tempo e agradecendo tanto. E meus desejos seguem sendo subjetivos porque minha vida não é pautada por finalidade. Meu critério é a alegria (mais que felicidade, esse conceito tão superestimado). Porque felicidade é muito mais simples do que parece, muito mais um estado em construção do que uma meta. É a soma das alegrias que a gente nem percebe porque está mirando longe nesse conceito utópico over the rainbow. Entao se me perguntassem, como na música do musical Rent, “how do you mesure a year?” Eu diria: em alegrias. E em 2014 eu tive muitas.

 

Que em 2015 a racionalidade só sirva pra me dar a disciplina que eu preciso pra voar mais longe e pra ser cada vez mais livre. Porque de resto eu só quero sentir. E ter calma para lidar com os ciclos das coisas (ando aprendendo com minhas azaleias e bouganvilles…).

 

Os ciclos, adoro os ciclos. Porque isso é a vida – e eu adoro a vida.

 

Inhale.

 

Exhale.

 

Daqui a pouco (re)começa.

 

Vem 2015. I want you.

 

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