What the fuck as mulheres querem?

by: Carol Teixeira -

Tá, eu sei que esse questionamento freudiano já virou clichê de tanto que foi repetido. Foi o que pensei quando vi o título do livro do premiado escritor e jornalista americano Daniel Bergner, O que realmente as mulheres querem?. Mas foi só ler as primeiras 4 páginas que imediatamente percebi que de clichê a obra não tinha nada. Lendo o livro fui percebendo algo que venho intuindo já há algum tempo: ao longo dessas décadas as mulheres colocaram tanta energia em conquistas sociais e políticas que a parte da sexualidade foi esquecida ou soterrada, muitas vezes sem que elas percebessem, em resquícios machistas patriarcais como a insistente dicotomia sensualidade versus inteligência. Sim, nunca foi tão urgente pensar a sexualidade feminina.

 

O autor fez uma profunda pesquisa e entrevistas com vários cientistas, sexólogos e coletou depoimentos muito sinceros de várias mulheres. Chegou à conclusões mega interessantes (muitas vezes desconfortáveis) que questionam o status quo sexual e as velhas noções que o senso comum tem sobre a natureza feminina. Bergner desmente a ideia de que “homem é mais visual que mulher no sexo” e de que  mulher tem uma natureza essencialmente monogâmica, fala que muito do desejo feminino vem de uma necessidade narcísica de se sentir desejada e traz à tona questões bem controversas quando analisa as fantasias reportadas pelas mulheres entrevistadas.

 

Uma das pesquisas mais interessantes foi a primeira que ele cita.  A cientista Meredith Chivers usou um pletismógrafo (que é uma lâmpada em miniatura e um sensor de luz) que foi colocado dentro da buceta (desculpa aí, me nego a usar o termo vagina) das mulheres testadas para medir a excitação enquanto elas viam diferentes cenas pornográficas selecionadas pela cientista. “Era um modo de ultrapassar o ofuscamento da mente, a interferência das regiões superiores e repressivas do cérebro, para descobrir, num nível primitivo, o que excita as mulheres”, diz Berger.

 

Para a surpresa de Chivers as cenas nas quais as mulheres realmente tinham se excitado muito (comprovado pelo aparelho que media o fluxo sanguíneo da área) na maioria das vezes não eram as que elas, quando interpeladas racionalmente, citavam. Já nos homens testados corpo e mente contavam a mesma história, o objetivo e subjetivo estavam em sincronia. Tem a ver, claro, com a permissão que as mulheres não tiveram ao longo da história para entrar em contato com sua sexualidade. Só o resultado dessa primeira experiência citada já mostra o quanto precisamos continuar perguntando o que querem as mulheres – porque muitas vezes nem nós mesmas sabemos.

 

Enfim, pirei com o livro e pensei: preciso falar com esse autor. E por isso não vou continuar escrevendo sobre o livro nesse post, porque vou falar com Daniel Bergner essa semana e fazer uma grande matéria sobre o assunto na minha coluna na Revista VIP. Aguardem.

 

 A matéria já está online e você pode ler aqui.

 

 

Update: PROMOÇÃO ENCERRADA.

Mas: podem aguardar lendo o livro. Os queridos da editora Agir vão dar 5 livros para minhas leitoras. As primeiras 5 que escreverem pro email aobscenasenhoritac@gmail.com com nome e endereço completo vão receber em suas casas um exemplar. Corram ali pra me escrever! (update: as 5 meninas já foram selecionadas. Fiquem ligadas nas próximas promoções 🙂


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